A coordenadora do estudo e pesquisadora do Centro Internacional de Neurociências da Rede Sarah, afirma que a leitura aumenta as respostas à linguagem falada no córtex auditivo, em uma área relacionada à codificação dos fonemas.
Quem sabe escrever amplia os limites do tratamento de linguagem, antes restrito à modalidade auditiva. A conexão entre fala e escrita aumenta a capacidade de comunicação, com benefícios muito maiores do que ainda a ciência pode medir.
Aprender a ler aumenta os estímulos visuais ? inclusive na área visual primária do córtex, responsável por perceber fatores como cor, profundidade e distância.
Quem sabe ler e escrever distingue jogos de linguagem que passam despercebidos pelos analfabetos, como a supressão de fonemas em uma palavra.
O estudo da oralidade é uma questão de extrema importância no processo de interação verbal, neste sentido é falso dizer que a oralidade privilegia apenas a espontaneidade, o relaxamento, a falta de planejamento, e até o descuido em relação às normas da língua padrão.
Para uma oralidade eficiente, precisa seguir normas e padrões necessários para seu uso e verdadeiro entendimento, potencializado pelo constante ato da leitura.
Os estudiosos recentes passaram a encarar de um modo diferente o significado da oralidade, os contrastes e as proximidades entre este tipo de expressão e a escrita.
A linguagem é tão predominantemente oral, que dentre as milhares de línguas que existiram, apenas cerca de 106 possuíam escrita suficientemente desenvolvida para produzir literatura.
Das 3 mil línguas hoje faladas, somente 78, aproximadamente, têm, de fato, uma literatura.
Quem usa uma língua escrita ? o inglês, por exemplo ? tem à sua disposição um vocabulário de pelo menos um milhão e meio de palavras, enquanto que uma língua exclusivamente oral não oferecerá ao falante mais do que alguns milhares. Entretanto, todos os textos escritos estão direta ou indiretamente relacionados ao universo do som.
Os estudos da linguística tratam contemporaneamente da teoria da continuidade que afirma existir níveis de gradação entre as duas modalidades, a oralidade e o letramento e não são modos dicotômicos, como se concebia anteriormente.
Oralidade e letramento são duas modalidades do uso da língua que somente pode ser compreendida integralmente, se ambas foram estudadas com a devida cientificidade e não somente uma delas.
A linguista brasileira Leonor Lopes Fávero afirma que ?As manifestações da língua oral e escrita são manifestações da língua, então, para se entender a língua na sua totalidade, precisa-se estudar o oral também e não só o escrito".
Cada uma delas possuem características distintas, mas elas não se opõem entre si, nem se constituem em sistemas linguísticos independentes, muito menos são dicotômicas.
Isso acentua que a relação fala-escrita passa por um contínuo de textos orais e escritos, seja na atividade de leitura, seja na de produção de texto.
Anteriormente a 1980 se examinavam a oralidade e a escrita como opostas, predominando a noção da supremacia cognitiva da escrita dentro do que Street (1984) chamou de "paradigma da autonomia".
Atualmente os estudos da linguística prevalecem a visão de que oralidade e letramento são além de interativas, atividades complementadoras.
A oralidade e o letramento seguem um eixo de um contínuo de textos orais e escritos, tratada pela teoria da continuidade que demonstra a existência de níveis de gradação entre os dois modos de uso da língua, num contexto sócio-histórico de práticas.
Elas dialogam entre si. Emprestam reciprocamente suas características uma para a outra, o que torna difícil em alguns casos distinguir se o texto deve ser considerado falado ou escrito.
Tanto a oralidade nutre à escrita as suas marcas, as chamadas marcas da oralidade, como a escrita alimenta a capacidade de nos expressarmos pela fala.
Cada uma delas pode ser expressa de maneira formal ou informalmente, com raciocínios concretos ou abstratos independentemente da escolha da modalidade.
Existem textos escritos que se situam, no contínuo, mais próximos ao pólo da fala conversacional (bilhete, carta familiar, textos de humor, por exemplo e principalmente a produção de mensagens pela internet), ao passo que existem textos falados que mais se aproximam do pólo da escrita formal (conferências, entrevistas profissionais para autos cargos administrativos e outros), existindo, ainda, tipos mistos, além de muitos outros intermediários.
A produção de um telejornal, é originada de um texto escrito para ser falado pelas vozes dos seus apresentadores. Trata-se um exemplo de uma oralização da escrita, e não da língua oral.
Ou ainda, as entrevistas em revistas e jornais que originalmente foram produzidas na forma oral, falado que são publicadas de forma escrita. Trata-se de um modo de aplicação de uma editoração da fala.
Outro exemplo é o que acontece com os atores desempenhando seus papeis no teatro, o cinema e as novelas. Esses não são gêneros orais em sua origem, mas são textos escritos para depois serem interpretados oralmente.
As semelhanças e diferenças entre a oralidade e o letramento somente podem ser discernidas pelos seus usos e práticas em sociedade.
Considera-se fundamental que as línguas se fundam em usos e não em regras gramaticais, estas é que se adequam às práticas sociais e não ao contrário.
A escrita não pode ser tida como uma representação da fala, pelo fato de não reproduzir muitos dos fenômenos da oralidade, entre os quais a prosódia, a gestualidade, os movimentos corporais e dos olhos, entre outros.
Em contrapartida a escrita apresenta elementos significativos próprios, ausentes na oralidade, entre os quais o tamanho e tipo das letras, cores e formatos, elementos pictóricos que operam como gestos, mímica e prosódia graficamente representados.
Apesar de usarmos no cotidiano social muito mais a fala do que a escrita, o valor social atribuído a ela não corresponde a sua real função sócio-histórica.
Mesmo que a oralidade tenha uma "primazia cronológica" indiscutível sobre a escrita (cf. Stubbs, 1980) e pelo fato de todos os povos terem sua tradição oral e alguns apenas uma tradição escrita, isso não significa que a oralidade seja mais importante que a escrita e vice-versa.
Há algumas características distintas que diferenciam a oralidade e a escrita que nos ajudam a entende-las melhor.
A oralidade tem uma decodificação só, uma simples decodificação transformando a palavra em entendimento cerebral.
Na palavra escrita há uma dupla decodificação, tendo que transformar aqueles hieróglifos, aquele símbolo em palavra que depois são decodificadas pelo cérebro.
Na oralidade a voz é do emissor, já na escrita o leitor é quem empresta sua voz para o texto e é ele quem interpreta a emoção contida na escrita.
Há um nível de envolvimento, de engajamento emocional que se percebe na oralidade que fica muito difícil ser percebida na escrita.
Sublinhe-se na definição de Marcuschi que a oralidade se caracteriza pela diversidade de gêneros textuais e acrescente-se que o domínio desses gêneros faz parte da competência comunicativa de cada falante.
Então se quisermos expressar exatamente o que sentimos, falando é sempre muito mais fácil transmitir o que desejamos, principalmente em relação ao sentimento.
Henry Sweet, linguista inglês, dizia que as palavras não são feitas de letras, mas de sons.
Os seres humanos se comunicam de formas diversas, mas nenhuma delas é comparável à linguagem por meio do som articulado; o próprio pensamento está relacionado, de um modo muito especial, ao som.
A fala é a expressão do pensamento, afinal, ?a boca fala do que está cheio o coração, (Mateus 12:34)
Usamos palavras o tempo todo e nem sempre pensamos no que dizemos e como falamos.
Ela tanto pode aproximar como afastar; tanto pode oprimir como libertar; tanto pode promover a vida como matar.
Determina palavra dita em determinado contexto, pode matar a pessoa a quem está sendo dirigida, os sonhos dela, suas aspirações, seu futuro, sua vida.
Tudo o que dizemos repercute positiva ou negativamente.
Somos responsáveis pelas afirmações ou negações que proferimos. Como ponto de partida pode tomar um raciocínio do próprio José Saramago, para quem as características de sua técnica narrativa, o narrador oral não usa pontuação, fala como se estivesse a compor música e usa os mesmos elementos que o músico: sons e pausas, altos e baixos, uns, breves ou longas, outras" (SARAMAGO, JOSÉ)
"Ao aprender a falar, o ser humano também aprende a pensar, na medida em que cada palavra é a revelação das experiências e valores de sua cultura. Desse ponto de vista, tem-se que o verbal influencia o nosso modo de percepção da realidade. Portanto, cabe a cada um assumir a palavra como manutenção dos valores dados ou como intervenção no mundo." Cláudia Lukianchuki de Lacerda
A ênfase neste estudo é como devemos usar a nossa capacidade de nos comunicarmos oralmente com efetividade e com afetividade, e nem tanto como utilizamos os códigos, as regras gramaticais, estruturas constitutivas formais estudadas pela linguística.
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