A superficial percepção do valor da intervenção da oralidade na sociedade humana é um fenômeno universal, em virtude da carência de conhecimento sobre o tema, entre outros fatores pela ausência da oferta de um ensino estruturado, especialmente pela escola ocidental.
A fala é uma atividade muito mais central do que a escrita no dia a dia da maioria das pessoas. Contudo, as instituições escolares dão à fala atenção quase inversa à sua centralidade na relação com a escrita. Crucial neste caso é que não se trata de uma contradição, mas de uma postura (Marcuschi, 1997).
Este distanciamento entre a perceptividade e o permanente impacto social, político, cultural e tecnológico que a oralidade promove na cena pública, é o paradoxo tratado por esta área econômica e o paradigma a ser desconstruído.
Como consequência deste diagnóstico, constata-se a superficialidade do conhecimento estruturado da oralidade. O que, por sua vez, trás como consequência, a carência significativa de consciência plena sobre e fenômeno como um todo, o que impossibilita a conquista da autonomia linguística capaz de exercer controle sobre os mais variados e diversos parâmetros da oralidade.
Portanto, a Economia da Oralidade tem a proposta de oferecer conhecimento consistente sobre a oralidade, capaz de gerar consciência plena e permitir administrar as variáveis e diversidades da oralidade. Esta competência pode incidir diretamente nos resultados econômicos e na geração de impacto sócio-histórico, capaz de intervir, determinar e consumar atos e fatos.
A conotação dada neste estudo para a expressão Economia da Oralidade compreende a ciência econômica da oralidade, mas corresponde também, ao uso do menor número de palavras, desde que sejam capazes de expressar eficazmente o enunciado proclamado, a mensagem desejada, seguindo a premissa disseminada na área da comunicação de que ?menos é mais? e da educação de que ?pouco é muito?.
Sublinhe-se na definição de Marcuschi que a oralidade se caracteriza pela diversidade de gêneros textuais e acrescente-se que o domínio desses gêneros faz parte da competência comunicativa de cada falante.
Competência que permite ao falante transitar dentro de um espectro de realizações, diante das inúmeras situações de fala que se lhe apresentarão durante a vida.
Um dos obstáculos que se colocam contra o desenvolvimento pleno da habilidade oral diz respeito ao fato desabermos que a criança já fala ao chegar à escola, o que leva muitas pessoas a pensarem que ela já tem um domínio da modalidade oral.
Daí decorre um problema que é o de se confundir a "oralidade" com a "fala", na medida em que esta, segundo Marcuschi,(2001) "seria uma forma de produção textual discursiva para fins comunicativos na modalidade oral (situa-se no plano da oralidade), portanto, sem uma tecnologia além do aparato disponível pelo próprio ser humano".
Não basta, portanto, que atividades de linguagem oral sejam consideradas apenas como oportunidades de interação oral com o professor e os colegas. Elas precisam ser planejadas para o desenvolvimento de habilidades de produção e recepção de textos orais freqüentes em situações mais formais, que exigem preparação e estruturação adequada da fala, textos de diferentes gêneros, com diferentes objetivos e diferentes interlocutores, falados ou ouvidos em função de determinadas condições de produção e determinadas situações de interação.va Economia.