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As elites sociais aprenderam a arte da retórica durante séculos na escola e na universidade e, no berço, a desenvoltura verbal e a capacidade de articulação. Ao contrário, para quase toda a população, a escola, como hoje a televisão, foi instituição que disciplinou o silêncio e a alienação da palavra. Isso não se trata de uma "regra", mas de uma constatação histórica.


A cultura da escrita promoveu ao longa da história benefícios inquestionáveis e imensuráveis, mas o crescimento do letramento social, apesar da sua indiscutível legitimidade, apresenta por vezes um viés de interesse de dominação social, de domesticação do pensamento estruturado, de ditadura das definições e conceituações, das delimitações e das imposições da racionalidade, priorizando a doutrinação em detrimento do ensino propriamente dito, com o intuito de ganhar espaço apenas na memória e não no poder individual e coletivo da reflexão, do exercício do processo do pensamento, da autonomia intelectual, além do processo de inibição da inteligência intuitiva e da estética como meio de aquisição do conhecimento.


Ao passo que a oralidade permite a conquista da plena de expressão do pensamento estruturado, do exercício do poder sobre si focado do legítimo interesse do outro, na formação de liderança, na manifestação da personalidade (Pessoa no grego: Por meio do som), vencer a infantilidade intelectual (Infantil do grego: Não domina o atributo da fala), entre inúmeros argumentos e aspectos.


Num mundo onde a escassez do tempo supera qualquer outro favor existencial, justamente por permitir que outras funções indispensáveis e inadiáveis possam ser realizadas, enquanto se está ouvindo conteúdos de interesse, quando e onde o ouvinte desejar.

É fundamental no universo digital que tudo que é escrito exige atenção exclusiva, em uma época em que as pessoas têm cada vez menos tempo, a voz, o som, a palavra falada pode ser consumida enquanto desenvolvemos outras tarefas e isto é que lhe dá um enorme poder de comunicação, quanto mais o mundo for digital.


Mas o fato é que muitas das nossas plataformas de comunicação estão mudas e cremos é necessário dar voz a comunicação e a marca das organizações que estão baseadas nelas.

Com isso ganhando, principalmente, personalidade, já que é através do som, da música, da palavra falada ou até mesmo a cantada é que se adquire esta condição.


O Voice Design® contempla a seleção e a escolha de mídias auditivas e audiovisuais aplicadas em interfaces analógicas ou digitais, de modo presencial ou virtual, aberta (online), permitindo a interação do ouvinte durante o processo de instrução ou fechada (finalizada), capazes de ativar os vários estímulos sensoriais audiovisuais, considerando o fato da audição possuir um subsistema separado do processo de absorção visual.


Numa produção midiática oral o emissor da mensagem está presente no ato comunicacional, representado pela sua voz, com ou sem a opção do suporte visual.

Já na escrita, o leitor é quem empresta sua voz e interpreta a emoção contida no texto.


As palavras escritas, por mais importantes que sejam, são um passo gigantesco para longe da voz que fala. Deve-se fazer um esforço resoluto para ouvir a voz que fala e para escutá-la, não apenas olhar para ela e estudar a palavra escrita.


Por meio da linguagem, todo o ciclo de falar e escutar, é capaz de revelar vastos interiores antes inacessíveis a nós.


A indústria da comunicação trata a linguagem cima de tudo como informação ou estímulo, não como revelação.


Pregação é proclamação, transmite o pessoal e o presente.

Ensino com aforismos cintilantes, mais que informações, remodela nossas imaginações com metáforas, possibilitando interiorizar o conteúdo.


O ensino reúne as partes, estabelece conexões, demonstra relações ? ?liga o pontilhado?, como dizemos.


Em contrapartida da comunicação auditiva atua com profundidade no intelecto, por meio da ativação física do som e pela criação cerebral de imagens capazes de identificar a anatomia, os contornos, as diversas tonalidades, cênica, a teatralização da palavra falada, são alguns dos aspectos que são considerados neste estudo.


A sociedade ocidental tem sido marcada pelo predomínio da imagem. Permanentemente temos sido bombardeados pelo impacto visual, o que para muitos estudiosos tem sido a causa da inibição do desenvolvimento da nossa capacidade criativa.


Ondas sonoras só se configuram como um som para as pessoas quando são percebidas pela audição entre 20 a 20.000 hertz, a partir daí os nossos ouvidos não ouvem, mas as vibrações sonoras nos atingem por inteiro. (O efeito Mozart, Dom Campbell)


Para o Dr. Alfred Tomatis os sons de alta frequência (de 3 mil a 8 mil hertz ou mais) em geral ressoam no cérebro e afetam funções cognitivas, como o raciocínio, a percepção espacial e a memória. Sons de média frequência (750 a 3 mil hetz), tendem a estimular o coração, os pulmões e as emoções, sons baixos (125 e 750 hertz) afetam o movimento físico.


Um zumbido grave tende a nos deixar cambaleantes, um ritmo grave e rápido, por outro lado, torna difícil, a concentração e a quietude.


Os aspectos mais estimulantes do som estão na faixa de alta frequência, ajuda a ativar nosso cérebro e aumentam a atenção.


Para criar esse efeito, reduza o volume dos graves e, caso tenha equalizador gráfico, reduza também as frequências médias e aumente os agudos. As frequências de 2 mil até 8 mil hertz, produzem mais benefícios. Seu ouvido direito deve estar voltado para o alto-falante.


Aliás, quanto ao ouvido direito, ele é dominante porque transmite os impulsos auditivos mais depressa aos centros da fala do cérebro localizados no hemisfério esquerdo do cérebro.


O ouvido esquerdo faz uma jornada mais longa através do hemisfério direito que não possui centros da fala, e só então vai para o hemisfério esquerdo, causando uma reação retardada, uma sutil perda de atenção.


Por isso é importante observar que o seu interlocutor fique ligeiramente à sua direta numa conversa ou reunião, ou se for o caso manter o telefone no ouvido direito, podendo melhorar sua audição, a concentração e a retenção das informações apresentadas.


?Quanto mais estudo audição, mais convencido fico de que aqueles que sabem ouvir constituem as exceções? ? afirma o médico Alfred Tomatis.


Para ele o ouvido é o giroscópio, a CPU, o maestro de todo o sistema nervoso. O ouvido integra as informações transmitidas pelo som, organiza a linguagem e nos dá a capacidade de perceber o horizontal e o vertical. Por meio da medula, o nervo auditivo se conecta com todos os músculos do corpo.


O poder da audição não deve ser subestimado. Ouvir é vibrar em conjunto com o outro ser humano.

Quando ouvimos um bom orador ou cantor, começamos a respirar mais fundo, nossos músculos relaxam e nossas endorfinas fluem, aumentando o contentamento e a serenidade.


Por outro lado, um orador ou cantor ruim nos deixa tensos e com a laringe comprimida. O corpo se contrai quando tenta proteger-se de sons irritantes ou desagradáveis.


A maioria das pessoas gosta de ouvir música sem estar plenamente consciente de seu impacto.

Nós não temos nenhum ?ponto surdo?, pois a audição é e sempre foi o nosso sentido primário de aviso, porque é vital para a nossa consciência espacial.


Audição e espaço estão intimamente ligados permanentemente num processo perceptivo.

É por isso que há poucas ilusões sonoras, e por que essa expressão é desconhecida ? considerando que a ?ilusão de ótica? é tão familiar.


Em nossa pesquisa e estudo constatamos que, infelizmente, a grande maioria das pessoas não se prepara para se comunicar e o resultado dá nisso que estamos facilmente verificando, uma crescente ?descomunicação? jamais vivenciada na humanidade, apesar do inimaginável progresso da tecnologia digital.


Estamos avançando, é verdade, nas mais diversas possibilidades de relacionamentos virtuais, mas estamos deixando de usufruir do valor do diálogo, da conversa, do poder da palavra falada e ouvida, da nossa essência humana.